domingo, 12 de julho de 2009

HISTÓRIA - REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932



Brasileiro que é brasileiro todo começo de ano pega o calendário e conta o número de feriados. Aqueles que caem na quinta ou na terça-feira são os preferidos, enquanto que aqueles que caem de sábado ou domingo são amaldiçoados, ainda que sejam feriados religiosos.

Ou seja, feriado é feriado, é uma data em vermelho no calendário que significa um descanso e nada mais. Se é comemoração na independência do Brasil ou dia de finados, não faz a menor diferença, estaremos na praia se for verão, na montanha se for inverno, no parque se estivermos duros.

Há poucos dias (9 de julho) foi comemorado no Estado de São Paulo o aniversário do início da Revolução Constitucionalista de 1932 e, apesar e simpatizar com a data, afinal se trata de um movimento democrático popular, me dei conta de que sabia muito pouco sobre o assunto.

Decidi pesquisar e compartilho com quem tiver interesse.

Após ter chegado ao poder por meio de um golpe decorrente de um certo caos político gerado pela quebra da alternância de presidentes entre São Paulo e Minas Gerais (República do Café com Leite), Getúlio Vargas em seu governo provisório decide suspender a constituição e nomear interventores em todos os Estados.

São Paulo de repente se vê politicamente fraco e sem qualquer autonomia num país ditatorial. A situação de São Paulo é particularmente complexa tendo em vista ter sido responsável pela crise que acabou com a República do Café com Leite. Além disso, o interventor nomeado por Getúlio para o Estado não era paulista, um fator a mais que levou ao descontentamento da população.

O povo então foi às ruas para exigir a imediata convocação de uma constituinte que garantisse uma Constituição democrática e com mais autonomia para os Estados.

Durante o conflito com as normas federais leais a Vargas, muitos paulistas foram mortos (o número oficial é 634), inclusive os estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (ainda antes da criação da USP) Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade (daí o movimento ter a sigla MMDC, as inicias dos nomes destes estudantes). Atualmente a sigla do movimento é MMDCA, tendo em vista também ter tombado o estudante Orlando de Oliveira Alvarenga.

A força pública paulista dispunha de 10.000 combatentes, mas havia outros 40.000 combatentes voluntários dentre 200.000 voluntários alistados.

Mas estes números não foram suficientes e a revolução foi reprimida pelas tropas de Vargas. Suas tropas eram em número mais de duas vezes maior e muito mais bem equipadas e, ao contrário do que esperava, São Paulo não logrou obter o apoio de outros Estados.

Pra piorar a situação dos revolucionários, as fronteiras do Estado foram fechadas e faltavam armamentos e munição. Os paulistas inventaram então a tal da "matraca", aparelho que imita o som de uma metralhadora.

Já em setembro a economia do Estado, isolado do resto do mundo, se encontrava em situação desesperadora e dependia de contribuições feitas pelos cidadãos. As deserções de combatentes se tornaram comuns.


A rendição dos paulistas se deu em outubro de 1932, após três meses de combate na capital e no interior do Estado. Mas a luta de São Paulo ganhou projeção nacional e o povo se fez ouvir.

Após a revolução Getúlio Vargas se reconcilia com São Paulo e nomeia um interventor paulista para o Estado. Já no ano seguinte ocorrerem eleições para a formação da Assembléia Nacional Constituinte. Foi a primeira vez que as mulheres votaram em eleições nacionais. Em 1934 a nova Constituição foi promulgada.

É o maior movimento cívico da história do Estado de São Paulo e foi o maior conflito militar brasileiro do século XX.

De resto, só vou recomendar o seguinte blog, no qual a blogueira transcreve trechos do diário do seu avô a respeito de suas visões da Revolução. Sensacional. É o blog Peregrina Cultural.

No mais, as fontes são a Wikipedia e o site da FGV.

sábado, 11 de julho de 2009

LITERATURA - A VIAGEM DO ELEFANTE DE JOSÉ SARAMAGO


Depois de falar sobre a cegueira branca que viria a conquistar Hollywood e do voto em branco que viria a colocar em estado de sítio uma cidade (em Ensaio Sobre A Lucidez), José Saramago conta uma história ainda mais inacreditável – a da viagem de um elefante de Lisboa a Viena no século XVI.

Jantando em um restaurante chamado O Elefante, José Saramago pôs os olhos em algumas pequenas esculturas de madeira. Uma delas representava um elefante, outras representavam vários monumentos europeus. Curioso, Saramago perguntou à colega que o acompanhava no jantar de que se tratavam aquelas figuras.

Começou assim sua descoberta sobre a verídica e historicamente documentada viagem do elefante Salomão, que foi dado de presente de casamento por dom João III (então rei de Portugal) ao arquiduque austríaco Maximiliano II, que havia se casado com a filha do imperador Carlos V.

Apesar de muito bem recebido por Maximiliano II, pode-se dizer que se tratava de um presente de grego, muito embora o elefante fosse indiano e tenha sido dado por um português. Isto porque mais do que presentear o arquiduque, o desejo de João III era se livrar de Salomão, que custava dinheiro aos cofres públicos e estava praticamente abandonado perto da cidade de Belém.

Verdade que se não houvesse elefante a história não seria contada mas, como o próprio José Saramago deixa claro em tantas passagens, é realmente difícil saber o que um elefante pensa, se é que pensa algo interessante. Além disso, também é verdade que um elefante não faz muito mais do que comer, dormir, andar e, bem, os números um e dois, em abundância por sinal.

Assim, muito embora as ações do simpático Salomão sejam relevantes e até mesmo milagrosas em muitas partes do livro, também é verdade que o principal herói (e como todo bom herói, também anti-herói) da história é o ser pensamente mais próximo ao elefante, ou seja, seu conarca (ou tratador), Subhro.

O interessante relacionamento entre estes dois seres que dependem tão intensamente um do outro para sobreviver, bem como o relacionamento entre eles e os europeus, são verdadeiramente o ponto alto do conto de Saramago.

A isso, claro, deve-se somar o quase inacreditável pano de fundo histórico. Se pensar na viagem de um elefante pela Europa poucas décadas depois da descoberta do Brasil já causa estranhamento hoje, naquela época realmente deve ter sido algo extraordinário.

Uma bela combinação de ficção com uma passagem histórica e personagens reais (que têm até nomes, portanto). Só lendo o livro pra tentar adivinhar o que realmente pode ter acontecido e o que só pode ter sido criado pela fértil mente de Saramago.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

COLORBLIND COLORFUL


COLORBLIND COLORFUL

*Conto baseado em fatos surreais.

Era um garoto que não via cores. Tudo para ele era preto ou branco. Preto no branco. O mundo era simples para o garoto. As coisas eram pretas ou brancas, certas ou erradas. As pessoas eram boas ou más, felizes ou tristes. Garotos gostavam de garotas e as garotas gostavam de garotos.

O garoto não entendia, não se entendia muito bem neste mundo. Mas o mundo era preto no branco, não havia muito o que pensar, questionar, desejar, encontrar.

Mas o garoto às vezes percebia aqui ou ali, e dentro de si, algo que não encaixava, que não era preto ou branco, certo ou errado. Era algo como um tom de cinza, que não era absolutamente perfeito ou absolutamente imperfeito, mas algo absolutamente novo, diferente, único.

O garoto, claro, não gostava nada do cinza, pois também não o entendia muito bem. Como algo pode não ser preto nem branco? Onde se encaixaria o cinza, que rótulo poderia colocar nele se ele só conhecia o preto e o branco?

O garoto que não via cores demorou muito tempo para entender o cinza. Mas mesmo depois de entender não quis o experimentar nada cinza. Continuou querendo ser preto no branco porque assim não poderia errar. Quando via algo ou alguém cinza na rua o garoto olhava para baixo e continuava andando sem olhar para os lados, para trás, para o mundo.

Muito, muito mais tempo passou. O garoto que não via cores era feliz, mas passou a desejar o cinza. O garoto que não via cores percebeu que não valia a pena esperar uma outra vida para finalmente poder apreciar o cinza. Percebeu que loucura não era experimentar o cinza, mas sim esperar por outra vida onde ele não existisse, ou onde pudesse experimentá-lo.

O cinza era uma parte de si, assim como o branco e o preto. Ele era preto, era branco, mas também era cinza.

O garoto que não via cores decidiu provar o cinza. E o cinza lhe caiu bem. O garoto percebeu que o cinza era uma parte muito importante da sua personalidade. Percebeu que era muito mais sendo também cinza do que sendo só preto e branco. Não ser preto no branco não era perfeito, mas era muito melhor do que ser, e o garoto se sentia mais vivo do que nunca. Sabia mais (e consequentemente menos) sobre si mesmo depois de aceitar o cinza que havia dentro dele.

O garoto começou a conhecer outras pessoas cinza. Percebeu que assim como ele essas pessoas eram altas, baixas, gordas, magras, brancas, negras, tristes, felizes, certas, erradas, bonitas, feias... Cinza claro, cinza escuro, cinza urano, cinza chumbo... Assim como o menino que não via cores, nenhuma daquelas pessoas era perfeita, mas todas tinham algo de diferente e de único. Cada uma tinha seu tom de cinza.

Um dia o garoto que não via cores conheceu um garoto com um lindo tom de cinza. O garoto ficou feliz por conhecer este garoto, e com o passar do tempo o garoto que não via cores conheceu mais e mais o garoto que havia conhecido.

O garoto que o garoto que não via cores conhecera mostrou com o tempo que não era só cinza, mas que tinha também outras cores.

Seus grandes olhos não eram cinza mas sim marrons, e tentavam expressar um milhão de coisas ao mesmo tempo. Seu cabelo não era cinza mas sim castanho, e tinha um cheiro que o garoto que não via cores jamais havia sentido.

Sua pele não era branca mais sim dourada, como se tivesse sido levemente queimada pelo sol. Seu sorriso aberto, mostrando os dentes brancos, era um arco-íris no qual o pote de outro estava logo ali, e não do outro lado.

O garoto que não via cores ficou impressionado com o garoto colorido que conhecera. Mas não sabia como ser um garoto que via cores, por mais que aquelas cores do garoto colorido o deixassem feliz. Logo ficou assustado e decidiu fugir.

Antes que o garoto que passara a ver cores fosse embora, o garoto colorido lhe deu um livro, pedindo-lhe que só o lesse quando chegasse no lugar aonde estava indo. Seus olhos castanhos brilhavam mas seu sorriso não era colorido.

Quando chegou ao seu destino, o garoto que não queria ver cores abriu o livro e começou a ler. O livro aparentemente era como qualquer outro, com suas páginas brancas recheadas de letras pretas.

Mas este livro era diferente.

No significado das letras, das palavras, das frases, havia cores que o garoto que até há pouco não via cores não sabia que existiam. Nas glosas escritas pelas páginas do livro sem maiores pretensões havia tantas outras cores, vibrantes, intensas, avassaladoras.

O garoto que via cores percebeu que não tinha outra escolha. Começou a trilhar seu caminho de volta para o garoto colorido, torcendo para que quando finalmente o reencontrasse este continuasse vendo em si as cores que ele não sabia que tinha.


quarta-feira, 24 de junho de 2009

TEATRO - LIZ



Falar de LIZ é um negócio complicado. A montagem é tão particular que já gerou até discussão nas páginas da Folha de S. Paulo.


Começo dizendo que a peça conta parte da história da Rainha Elizabeth I, filha de Henrique VIII e Ana Bolena. Elizabeth ascendeu ao trono depois de muito arranca-rabo na Inglaterra, e acabou se tornando uma rainha bastante célebre até hoje por ter sido "casada com o povo" e por ter "morrido virgem". Virou rainha com 25 anos e governou por 44 anos, até sua morte. Como não deixou filhos, foi a última monarca da dinastia Tudor.


A história de Elizabeth I é muito interessante, é tema de diversos filmes e, claro, tem potencial para ser um ótimo enredo para uma peça. A questão com LIZ é que a sua montagem é tão psicodélica, e trata de "fatos históricos" (não confirmados) tão específicos, que fica difícil enterdemos onde estamos.


Na Folha, o crítico teatral Luiz Fernando Ramos falou do seu entendimento da peça. Disse que o período elisabetano é trabalhado por ela como uma analogia à situação atual de Cuba. Assim, falar da rainha Elizabeth seria mais uma desculpa para falar de Fidel.


Para o crítico, LIZ "é um curioso espécime de teatro latino-americano. Trabalha personagens da história europeia, sincronizados tempo-espacialmente em estrutura dramática, para falar de questões cubanas por meio de uma irreverente companhia brasileira".


Como já disse, a resposta veio também na Folha, dada por Alberto Guzik, ator e dramaturgo que faz parte da montagem de LIZ. Este disse que, apesar de ser possível a leitura que vê uma crítica ao regime castrista, esta não é a intenção da montagem.


Para Guzik, a montagem quer falar na verdade que o grande artista do período foi Christopher Marlowe, e não William Shakespeare. Só que Marlowe (de acordo com a peça) foi assassinado ainda jovem para que fosse salva a vida de Walter Raleigh, por quem a rainha era apaixonada.


A peça trataria, então, sobre o exerício do poder. Não sobre Fidel, particularmente, mas sobre qualquer um que exerça o poder. Elizabeth I teria mandado matar Christopher Marlowe apenas como um capricho, para demonstrar a força de seu poder (como rainha e como mulher) sobre seu amado Walter Raleigh.


Eu sou obrigado a concordar tanto com a crítica quanto com a réplica.


Primeiro, o enredo é complexo, o que se depreende do fato de que a peça teve que ser "explicada" para um crítico teatral por um dos integrantes do grupo na Folha. Como se o texto árduo não bastasse, ele é falado num mundo psicodélico com influências cubanas e brasileiras. A digestão de tudo isso é sim bastante complexa.


Por outro lado, eu não entendo a peça como uma metáfora de Cuba. A peça mostra uma Elizabeth que governa de maneira mesquinha, olhando para o próprio umbigo. Ora, isso pode ser uma crítica tanto a Fidel quanto a Sarney, o político brasileiro do momento.


No fim das contas, acho que a peça vale a pena. Foi uma montagem bem diferente e que me fez correr atrás de várias referências para entendê-la. Ser complicada pode ser visto como um problema, mas eu vou levar como sendo mérito.


No Satyros 1, sextas e sábados às 21 horas, a R$30,00 a inteira. Até 29 de agosto.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

HOMOSSEXUALIDADE NO MUNDO PARTE 2 - ÍNDIA


Pagando um pau pra Caminho das Índias, nossa viagem ao mundo continua e agora vai parar no país das especiarias. Se tivesse um casal gay na novela das oito eles provavelmente seriam como dois melhores amigos que dividem uma cama de casal e só se encostam uma vez por mês pra um abraço cheio de desconforto. Meio que como o rio Ganges limpinho que aparece lá.

Mas como será que realmente vivem os gays na Índia?


Antes de tudo, na Índia homem pode abraçar homem, beijar homem, andar abraçado, e até dormir na mesma cama sem que isso seja considerado homossexual ou indício de homossexualidade. As relações entre homens naquele país podem ser mais carinhosas.

Na sociedade machista em que vivemos na América Latina, ser homem para muitos significa ser agressivo e ter um certo padrão de comportamento considerado masculino. Na Índia, a superioridade do homem em relação à mulher num relacionamento é tão forte que os homens não têm necessidade de agir de certa forma para serem considerados maculinos.

Assim, ao menos inicialmente, sexo entre homens não é um tabu e não torna o homem menos masculino ou homossexual. É visto por muitos como uma brincadeira perversa ("mischief"), mas apenas uma brincadeira, para se divertir e se satisfazer. O erro maior de um homem casado que fez sexo com outro homem é trair sua esposa, e não tê-la traído com um homem. O mesmo vale para sexo antes do casamento. São tabus mais fortes que o da homossexualidade.

Mas a verdade é que na Índia a homossexualidade é praticada na escuridão. É tabu tanto para as pessoas quanto para o governo.


Assim como já vimos com relação ao homem chinês, o homem indiano também sofre forte pressão para ser marido e pai. Ser solteiro na Índia não faz sentido, é como não existir socialmente. Mesmo homens homossexuais acabam se identificando mais com esse papel social do que com sua própria sexualidade, e vêem o sexo como gay apenas como uma brincadeira prazerosa. É algo sobre o que não se deve falar, e se for para falar, deve-se levar na brincadeiera.

Na verdade não existe uma identidade gay, e a maioria das pessoas simplesmente nega que gays ou lésbicas existam.

Assim, o mais chocante para os indianos não é alguém praticar um ato homossexual, portanto, mas se considerar homossexual. Fugir da obrigação de procriar é a decorrência mais grave disso. Claro que estamos falando de uma sociedade em que superpopulação é algo positivo, o que não faz sentido no mundo ocidental.

Ou seja, o ato homossexual escondido e como brincadeira tudo bem, mas a homossexualidade como identidade de uma pessoa é vista como uma imposição cultural ocidental decadente.


Atos homossexuais podem levar alguém para a cadeia por até dez anos segundo a Seção 377 do Código Penal Indiano, uma legislação dos tempos do colonialismo britânico. O que a lei proíbe é a "relação carnal contra a ordem natural". Na prática há vinte anos não há condenação decorrente de sexo gay com base nesse dispositivo, mas a lei ainda é utilizada como forma de terror (quando pegos pela polícia transando os homossexuais geralmente são extorquidos).

A legalidade do dispositivo está sendo apreciada há algunas anos pela Justiça indiana, e a mudança do ponto de vista do Poder Judiciário com relaçaõ à Seção 377 é o modo mais provável de cair por terra a proibição do sexo gay, já que uma mudança legislativa é vista como pouco provável.

As Nações Unidas já pediram à Índia que descriminalize o sexo gay, pois é fato que em países em que o homossexual é protegido contra a discriminação é mais fácil pretegê-lo de doenças.

É quase desnecessário dizer, mas não existe nenhum tipo de reconhecimento oficial de uniões homoafetivas na Índia.

Apesar de tudo o que foi dito existem na Índia grupos de pessoas que percebem de modo mais claro sua identidade. Isso também decorre da urbanização e da maior força da cultura ocidental, principalmente entre os mais educados. Já há ativismo gay lutando contra leis que criminalizam a homossexualidade.

Além disso hoje já existem pontos de encontro gays em algumas grandes cidades indianas, o que não existia há duas décadas. Nos pontos de encontro gay há abundância de organizações que lutam para conscientização acerca do HIV. Paradas gays também existem nas maiores cidades, reunindo poucos milhares de pessoas. Além disso, os homossexuais têm aparecido mais na mídia e em Bollywood.

Apesar disso, mas muito pouco se avançou no discurso homossexual e na aceitação. O preconceito e a falta de informação genereralizada fazem com que a contaminação de homossexuais pelo HIV atinja índices alarmantes. Muitos indianos não acreditam que sexo entre homens possa transmitir o vírus. Tantos outros acreditam que o sêmen é o produto mais puro do corpo humano, que poderia até dar poderes especiais se ingerido.

A história de uma rapaz chamado Sujit é bem explicativa da situação dos gays na Índia. Desde os dez anos Sujit sabe que é gay, e aos 17 conheceu um parceiro com quem ficou por 13 anos. Mas os dois sabiam que não iria durar pra sempre. Aos 30, o pai de Sujit o ajudou a encontrar uma noiva da mesma casta pela internet (no shaadi.com).

Hoje Sujit é casado e tem dois filhos. Só se relaciona com homens pela internet - exceto duas ou três vezes por ano quando transa com algum outro homem casado. Os riscos de transmissão de doenças são enormes porque, longe dos meios gays, os homens casados não obtêm informação e ajuda sobre este assunto.

Além de tudo o que foi falado, claro que na Índia tudo fica ainda mais complicado (na visão ocidental, pelo menos), já que deve-se considerar castas, classes, religiões e etnias.

Na verdade a religião, ao menos, não parece ser um grande empecilho para os indianos gays. O hinduísmo (maior religião da Índia) não trata da homossexualidade, mas de acordo com algumas interpretações ela seria condenada. Antigos códigos de conduta hindus têm punições brandas para os homossexuais. Um homem que fizesse sexo com outro teria que tomar banho em suas roupas. Só para comparar, o adultério heterossexual poderia levar à pena de morte; pena infinitamente mais severa, portanto.


A Parada Gay de São Paulo acabou de rolar e esteve aqui o príncipe indiano Manvendra Singh Gohil, de 44 anos, homossexual assumido. No dia 31 de maio deste ano já havia saído publicado na Folha de S.Paulo entrevista com ele.

Para ele, foi a colonização britânica quem levou a homofobia à Índia. Saiu do armário para que a mídia começasse a discutir mais a homossexualidade lá. Chegou a ser deserdado pelos pais mas estes voltaram atrás nesta decisão.

O príncipe indiano pode parecer feliz e bem resolvido agora, mas foram precisos um casamento, um divórcio e uma crise nervosa pra ele se situar. "É uma doença? É um problema mental?", ele se perguntava. Ele só veio a entender sua sexualidade aos 30 anos. Para ajudar a causa, o príncipe fundou uma organização sem fins lucrativos voltada a ajudar homens gays e portadores do HIV.

É isso. As fontes estão nos links abaixo e reitero que, como a maioria das informações é proveniente da internet, sempre cabe ter cuidado já que podem não corresponder à realidade. De qualquer forma, se você souber de alguma informação inexata, ou se quiser concordar, discordar, ou de qualquer modo se manifestar, por favor, deixe um comentário!

Num futuro post continua a série sobre homossexualidade no mundo.


Fontes: