quinta-feira, 23 de abril de 2009

LITERATURA - QUANDO NIETZSCHE CHOROU DE IRVIN D. YALOM


O livro QUANDO NIETZSCHE CHOROU fez muito sucesso quando lançado no Brasil. Eu tenho um pouco de preconceito contra coisas que estouram demais, dá a impressão de que é algo que não tem muito a acrescentar já que em geral coisas que tanta gente consome não acresce muita bagagem cultural em nenhuma delas.

Apesar do preconceito quando um exemplar do livro caiu nas minhas mãos eu não pude deixar de ler. Foi uma ótima surpresa.

"Esta vida é sua vida eterna", já dizia Nietzsche antes mesmo de chorar. Então devemos aproveitar esta vida ao máximo, certo?

O livro conta a história do encontro entre o Dr. Josef Breuer, um médico austríaco, e o filósofo alemão Friedrich Nietzsche em Viena. Os dois precisam de ajuda, apenas não sabem que irão encontrar isto um no outro.

O autor do livro, IRVIN D. YALOM, que é psiquiatra, parte da premissa de que do relacionamento entre estes dois homens nasceu a semente da psicologia como hoje a conhecemos.

A história é fascinante e apesar de a leitura não ser particularmente leve o livro consegue prender a atenção do leitor e fazer com que a gente queira saber qual o próximo passo no relacionamento dos personagens. O pano de fundo também não poderia ser mais rico. Por um lado, o antisemitismo está crescendo na Europa. Por outro, Freud, o pupilo do Dr. Breuer, está tentando encontrar seu lugar na medicina.

Pra mim também foi interessante passar o livro todo intrigado com a seguinte questão - afinal, o quanto do livro é fato histórico e o quanto é criação do autor? Eu já sabia que os personagens eram reais e algumas das situações também, mas quais? Somente depois do fim do livro o autor esclarece esta questão, e a revelação só deixa o livro mais interessante.

Uma mistura bem dosada entre realidade e ficção, com certeza vale a leitura. Para dar uma atiçada maior na vontade de ler segue um pequeno trecho no qual o Dr. Breuer "limpa a chaminé" falando com Nietzsche sobre um de seus sonhos:

"- Não sei o porquê da navalha no sonho.
- Lembre-se de nossas regras, Josef. Não tente raciocinar. Apenas limpe a chaminé. Diga tudo que lhe ocorre. Não omita nada. - Nietzsche reclinou-se e fechou os olhos, à espera da resposta de Breuer.
- Navalha, navalha... ontem à noite, vi um amigo, um oftalmologista chamado Carl Koller, que tem o rosto totalmente barbeado. Pensei esta manhã em fazer minha barba... mas muitas vezes penso nisso.
- Continue limpando a chaminé!
- Navalha... pulso... tenho um paciente, um homem jovem desesperado por ser homossexual, que cortou o pulso com uma navalha alguns dias atrás. Irei visitá-lo mais tarde. Seu nome, aliás, é Josef. Embora eu não pense em cortar meus pulsos, tenho pensamentos, conforme já lhe contei, sobre o suicídio. São pensamentos ociosos... não é um planejamento. Sinto-me bastante distante do ato de me matar. Seria tão provável como eu queimar minha família e carregar Bertha para a América... contudo, penso cada vez mais no suicídio."

Se você ainda não sabe o que é "limpar a chaminé" (o que hoje se chama "ventilar"), não perca mais tempo e descubra.

6 comentários:

  1. simplesmente adoro Friedrich Nietzsche, tenho varios de seus livros, as vezes o cito no meu blog mas ninguém percebe :/

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  2. Entretido, qual é a sua idade?! Você é muito novo pra gostar disto! Mas parabéns. Que bom que nem todos jovens gostam apenas de frivolidades!

    Nietzsche é uma ótima companhia durante a vida. Não perca "o prazer tátil" de ler um livro. E é claro, de postar no blog. Faça a diferença! E muito obrigado por se tornar "um olheiro" do meu blog.

    Abraços.

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  3. alessandro, eu nunca li o nietzsche, mas fiquei muito interessado em ler com este livro. acho que não vou concordar com ele porque ele é bem forte em suas opiniões e eu costumo ficar em cima do muro, mas quero ler algo dele num futuro próximo.

    marcos oi de novo! tenho 26 anos mas acho que isso não é uma questão de idade né... acho que é uma questão de vivência, maturidade... estas coisas geralmente estão ligadas à idade mas não necessariamente...

    um abraço pros dois (um pra cada um)

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  4. Oi, olha eu de novo! Então, é sim... ainda mais nos dias de hoje onde grande parte da juventude gosta de funk e afins e os adultos só pensam em horas extras para pagar contas. Adoro conhecer gente que posso conversar sobre algo que vai além do jogo de futebol ou do que passou na novela! Parabéns pelo post e exponha mais dos seus pensamentos e sentimentos. E quanto "ao ficar em cima do muro", cuidado. Isso não condiz com o que você escreve no seu blog.

    Abraços.

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  5. marcos, bom saber que meu blog não é em cima do muro, rs. mas eu sou bastante assim, sempre tento analisar os dois lados de tudo...

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  6. Tambem amo Nietzsche, livros, mas esse filme postado Quando Nietzsche chorou é de rara beleza. Vale a pena conferir

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