sábado, 25 de abril de 2009

SAÚDE - GORDURA TRANS


Agora falando um pouco sério pra variar, é interessante notar que por mais que se fale em gordura trans, nós enquanto consumidores ainda estamos bem longe de nos ver livres dela.

Como todo mundo sabe, gordura trans é aquela gordura maligna, inimiga pública nº 2 dos hábitos modernos (vem logo depois do cigarro). Essa gordura deixa os alimentos com consistência melhor, mais crocantes e gostosos e faz eles durarem mais, mas em compensação quando entra no nosso corpo tem dois destinos certos - a pança e as artérias do coração, não necessariamente nessa mesma ordem.


Ou seja, comer gordura trans aumenta os riscos de doenças do coração, pois aumenta o nível do colesterol ruim e diminui o nível do colesterol bom. Aliás, isso me dá saudade da época em que colesterol era só o ruim, lembra? Tempos mais simples...

Voltando ao assunto, "trans" vem de transversos, por causa do modo como as moléculas desta gordura estão ligadas.

Os rótulos dos produtos dizem se eles têm ou não gorduras trans. Então a gente pensa - pra evitá-las, nada mais fácil do que olhar o rótulo, certo? Errado, por incrível que pareça.


Na prática, a indústria alimentícia tem o aval da ANVISA para falar que qualquer produto não tem gordura trans, basta querer enganar o consumidor. Só no Brasil mesmo... Eu explico.

Se uma porção do produto não tem mais do que 0,2g de gordura trans, na embalagem deste produto pode constar que ele está livre de gordura trans. Até aí tudo bem. A sacada é a seguinte - se numa embalagem de biscoito cada biscoito tem 0,2g de gordura trans, basta o fabricante dizer que cada biscoito é uma porção pra poder dizer também que o produto está livre de gordura trans, apesar de a embalagem ter várias gramas desta gordura nociva.

Isso quem está falando não sou eu, é a própria Portaria da ANVISA que trata do assunto.

Ou seja, no final das contas, não sabemos quanta gordura trans realmente estamos comendo por dia. Teoricamente o ideal seria comer de 0g a no máximo 2g desta gordura por dia, mas na verdade não tem como saber.

Nestas horas a indústria de alimentos que é honesta com o consumidor e não faz uso deste artifício que a ANVISA permite acaba perdendo público... Mais uma vez nossa legislação nos incita à desonestidade...

Atualmente dizem até mesmo que a mulher grávida que ingere muita gordura trans pode prejudicar o desenvolvimento neurológico do feto e tem mais chances de ter um filho obeso. Ou seja, é sim necessário tomar cuidado, a questão não é preocupação de gente que não tem mais o que fazer.

Por outro lado, é claro que a indústira de alimentos encontra um desafio - como deixar o alimentos com as mesmas características que os consumidores gostam (inclusive preço) substituindo os componente que lhes são nocivos?

Ótima pergunta, e quem descobrir como fazer isso com eficácia vai se dar bem. Vamos apenas torcer para que não troquem a gordura trans por outra coisa ainda mais perigosa pra nossa saúde...

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