
Ghostwriter é o escritor que escreve para outras pessoas. Digamos que você seja um grande empresário mas não tem muita habilidade com as palavras. Quer escrever um artigo de jornal ou lançar um livro com uma "auto"biografia mas sabe que não vai escrever muito bem. É para isso que serve o ghostwriter. Ele vai escrever pra você como se fosse você. Ou seja, no final, todo mérito vai ser seu.
Não tem profissão mais parecida com do ghostwriter do que a da mulher que aceita ser barriga de aluguel. Assim como o ghostwriter, a barriga de aluguel gera um filho dentro de si por um tempão. É ela quem muda a alimentação pelo bem da criança, é ela que deixa de fumar e de beber, é ela quem passa pelos prazeres e pelos sofrimentos de estar grávida... Pode ser só pelo dinheiro, mas a experiência é completa e no final não vai haver criança para amamentar...
Agora olha só o ghostwriter... É ele quem elabora a história, deixa ela gostosa de ler, é ele quem se alimenta mal em frente ao computador, quem fuma e bebe buscando inspiração, é ele quem passa pelo prazer de um parágrafo bem escrito e pela frustração de uma manhã desperdiçada sem uma letra sequer...

Já teve até novela no Brasil sobre uma barriga de aluguel que não queria dar a criança para os pais biológicos. Agora tem filme sobre ghostwriter que se atormenta ao ver um seu filho brilhante nas mãos de uma pessoa que não o merece. Esse filme é BUDAPESTE.

Vou ser sincero, não recomendo. Não li o livro do Chico então não sei qual foi o suporte para o longa. Mas no filme me foi apresentado um personagem com quem não consegui me identificar.
Tudo bem, um livro escrito é como um filho parido, tem tanto da gente que é difícil soltar no mundo. Mas em Budapeste o ghostwriter interpretado por Leonardo Medeiros não se interessa pela sua obra porque a obra é filho seu, e não de quem o pagou para escrevê-la. Ele só se interessa por sua obra porque ela faz sucesso. Se não fizesse sucesso, poderia ficar com quem fosse, ele não se importaria.

O personagem de Leonardo Medeiros é apaixonado por si mesmo, por seu ego, pelo seu sucesso, que está sendo usufruído por outro. Mas não é apaixonado pela sua obra, pelo seu livro. Prova disso é o tratamento por ele dispensado a seu filho, filho mesmo, de carne e osso. O moleque, longe de ser um sucesso, parece ser um elemento estranho na casa do escritor. Para este filho, portanto, nenhuma atenção.
Nem mesmo as mulheres com quem se envolvem são tão imporantes para ele do que sua obra roubada. Apaixonado por si mesmo, o escritor faz de tudo, mas não é um personagem que faz o público se apaixonar por ele. Seu enorme amor próprio vai ter que bastar, portanto.

Alguém aí que leu o livro pode dizer quais as semelhanças e diferenças entre ele e o filme???
0 comentários:
Postar um comentário
Deixe um comentário e diga o que você achou! Se preferir, ou se tiver críticas, sugestões, etc., mande um e-mail para oentretido@gmail.com.