
Como estamos inseridos no meio de vida ocidental, nós brasileiros não temos grandes problemas em aceitar qualquer filme vindo da terra dos bárbaros, nem do velho mundo, ainda que neste último caso haja um estranhamento maior.
Mas é interessante ver como nossa cultura é diferente da dos orientais quando assistimos a filmes feitos do outro lado do mundo.

A PARTIDA tem de tudo pra ser um filme que o ocidental não consegue entender. O protagonista volta para sua pequena cidade no interior do Japão e passa a trabalhar com uma tradição que já está praticamente morta no país.

Mas algumas questões são relevantes para todo ser humano, onde quer que ele viva. E é por essa razão que A PARTIDA ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro este ano.
Kobayashi é um jovem músico (toca o violoncelo) que não vê um futuro promissor para sua carreira. Percebe que superestimou seu potencial artístico e que não conseguirá sobreviver vivendo da sua música.

Decide então voltar às origens e voltar a viver na casa de sua falecida mãe, no interior do Japão. Lá encontra rapidamente um emprego que paga bem torna-se pupilo de um preparador de cadáveres.

Na cultura japonesa, o cadáver deve ser preparado para o enterro e para sua entrada na próxima vida. Tradicionalmente, as próprias famílias realizavam este procedimento em seus mortos, mas com o tempo isto passou a ser feito por profissionais, e o filme dá a entender que a tradição vem se perdendo por completo.
O procedimento é feito enquanto a família assiste. O cadáver é limpo, maquiado, vestido e penteado. Claro, tudo deve ser feito com todo o respeito pelo profissional, que deve tentar entender quem era aquela pessoa e quais as expectativas dos familiares com relação àquele trabalho. Trabalho este que é importante e nobre, como Kobayashi logo descobre após perder a ojeriza inicial.

Como é possível perceber, o filme trata de assuntos com os quais qualquer pessoa, de qualquer cultura, tem que lidar. Primeiro traz a música, que muitos consideram uma linguagem universal. Depois as dificuldades de ser jovem e tentar encontrar seu lugar no mundo, seu papel social, o sucesso profissional. E por último a morte, vista de um modo diferente por cada cultura, por cada religião, mas sempre com a certeza de que dela ninguém pode escapar, ainda que ela não seja mais do que o início de uma nova fase.
Essas e outras histórias fazem o filme ter levado a estatuta com mérito. Recomendo.

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