
Jantando em um restaurante chamado O Elefante, José Saramago pôs os olhos em algumas pequenas esculturas de madeira. Uma delas representava um elefante, outras representavam vários monumentos europeus. Curioso, Saramago perguntou à colega que o acompanhava no jantar de que se tratavam aquelas figuras.
Começou assim sua descoberta sobre a verídica e historicamente documentada viagem do elefante Salomão, que foi dado de presente de casamento por dom João III (então rei de Portugal) ao arquiduque austríaco Maximiliano II, que havia se casado com a filha do imperador Carlos V.
Apesar de muito bem recebido por Maximiliano II, pode-se dizer que se tratava de um presente de grego, muito embora o elefante fosse indiano e tenha sido dado por um português. Isto porque mais do que presentear o arquiduque, o desejo de João III era se livrar de Salomão, que custava dinheiro aos cofres públicos e estava praticamente abandonado perto da cidade de Belém.
Verdade que se não houvesse elefante a história não seria contada mas, como o próprio José Saramago deixa claro em tantas passagens, é realmente difícil saber o que um elefante pensa, se é que pensa algo interessante. Além disso, também é verdade que um elefante não faz muito mais do que comer, dormir, andar e, bem, os números um e dois, em abundância por sinal.
Assim, muito embora as ações do simpático Salomão sejam relevantes e até mesmo milagrosas em muitas partes do livro, também é verdade que o principal herói (e como todo bom herói, também anti-herói) da história é o ser pensamente mais próximo ao elefante, ou seja, seu conarca (ou tratador), Subhro.
O interessante relacionamento entre estes dois seres que dependem tão intensamente um do outro para sobreviver, bem como o relacionamento entre eles e os europeus, são verdadeiramente o ponto alto do conto de Saramago.
A isso, claro, deve-se somar o quase inacreditável pano de fundo histórico. Se pensar na viagem de um elefante pela Europa poucas décadas depois da descoberta do Brasil já causa estranhamento hoje, naquela época realmente deve ter sido algo extraordinário.
Uma bela combinação de ficção com uma passagem histórica e personagens reais (que têm até nomes, portanto). Só lendo o livro pra tentar adivinhar o que realmente pode ter acontecido e o que só pode ter sido criado pela fértil mente de Saramago.
Oi querido, tõ seguindo!
ResponderExcluirGostei muito daqui...
bj