
Ou seja, feriado é feriado, é uma data em vermelho no calendário que significa um descanso e nada mais. Se é comemoração na independência do Brasil ou dia de finados, não faz a menor diferença, estaremos na praia se for verão, na montanha se for inverno, no parque se estivermos duros.
Há poucos dias (9 de julho) foi comemorado no Estado de São Paulo o aniversário do início da Revolução Constitucionalista de 1932 e, apesar e simpatizar com a data, afinal se trata de um movimento democrático popular, me dei conta de que sabia muito pouco sobre o assunto.
Decidi pesquisar e compartilho com quem tiver interesse.

Após ter chegado ao poder por meio de um golpe decorrente de um certo caos político gerado pela quebra da alternância de presidentes entre São Paulo e Minas Gerais (República do Café com Leite), Getúlio Vargas em seu governo provisório decide suspender a constituição e nomear interventores em todos os Estados.
São Paulo de repente se vê politicamente fraco e sem qualquer autonomia num país ditatorial. A situação de São Paulo é particularmente complexa tendo em vista ter sido responsável pela crise que acabou com a República do Café com Leite. Além disso, o interventor nomeado por Getúlio para o Estado não era paulista, um fator a mais que levou ao descontentamento da população.

O povo então foi às ruas para exigir a imediata convocação de uma constituinte que garantisse uma Constituição democrática e com mais autonomia para os Estados.

Durante o conflito com as normas federais leais a Vargas, muitos paulistas foram mortos (o número oficial é 634), inclusive os estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (ainda antes da criação da USP) Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade (daí o movimento ter a sigla MMDC, as inicias dos nomes destes estudantes). Atualmente a sigla do movimento é MMDCA, tendo em vista também ter tombado o estudante Orlando de Oliveira Alvarenga.
-3.jpg)
A força pública paulista dispunha de 10.000 combatentes, mas havia outros 40.000 combatentes voluntários dentre 200.000 voluntários alistados.
Mas estes números não foram suficientes e a revolução foi reprimida pelas tropas de Vargas. Suas tropas eram em número mais de duas vezes maior e muito mais bem equipadas e, ao contrário do que esperava, São Paulo não logrou obter o apoio de outros Estados.

Pra piorar a situação dos revolucionários, as fronteiras do Estado foram fechadas e faltavam armamentos e munição. Os paulistas inventaram então a tal da "matraca", aparelho que imita o som de uma metralhadora.
Já em setembro a economia do Estado, isolado do resto do mundo, se encontrava em situação desesperadora e dependia de contribuições feitas pelos cidadãos. As deserções de combatentes se tornaram comuns.


A rendição dos paulistas se deu em outubro de 1932, após três meses de combate na capital e no interior do Estado. Mas a luta de São Paulo ganhou projeção nacional e o povo se fez ouvir.
Após a revolução Getúlio Vargas se reconcilia com São Paulo e nomeia um interventor paulista para o Estado. Já no ano seguinte ocorrerem eleições para a formação da Assembléia Nacional Constituinte. Foi a primeira vez que as mulheres votaram em eleições nacionais. Em 1934 a nova Constituição foi promulgada.
É o maior movimento cívico da história do Estado de São Paulo e foi o maior conflito militar brasileiro do século XX.
De resto, só vou recomendar o seguinte blog, no qual a blogueira transcreve trechos do diário do seu avô a respeito de suas visões da Revolução. Sensacional. É o blog Peregrina Cultural.
No mais, as fontes são a Wikipedia e o site da FGV.


